4 de novembro de 2010

O novo cenário político catarinense

Quem, há 8 anos, diria que o prefeito de Lages Raimundo Colombo seria eleito governador de Santa Catarina numa aliança entre o ex-PFL, o PMDB e o PSDB? Ninguém, a começar pelo fato de Luiz Henrique ter sido eleito governador atacando o PFL que, à época, era aliado do então PPB de Esperidião Amin. Agora em 2010, no entanto, não era novidade para ninguém a possibilidade do liberal ser de fato o novo governador, afinal ele já tinha sido eleito senador com a maior votação da história em 2006. A surpresa não foi a vitória e sim a forma como ela se deu: no 1° turno, massacrando Angela Amin (PP) e Ideli Salvatti (PT), depois de uma vitória na própria coligação contra Eduardo Moreira e Leonel Pavan na disputa da cabeça de chapa.

Raimundo governará em qual cenário? Vamos aos fatos. O novo governador elegeu 10 dos 16 deputados federais catarinenses, o que lhe confere uma boa representação em Brasília. No Senado Raimundo contará com os seus escudeiros peemedebistas Luiz Henrique e Casildo Maldaner e o tucano Paulo Bauer, ou seja, unanimidade a seu favor. No plano estadual a polialiança elegeu 25 dos 40 deputados para a Assembléia. Ocorre que, tanto a nível federal quanto estadual, o PP negocia apoio em troca de cargos no governo. Caso a aliança se confirme, Colombo terá ao seu lado 31 deputados estaduais e 12 deputados federais, o que, a princípio, deve ser a maior aliança de governabilidade que já se viu. A grande incógnita é saber se o governo Dilma discriminará Santa Catarina ou investirá no estado, deixando as disputas políticas de lado.

E como saem os partidos a nível estadual?

DEMOCRATAS
A sigla manteve 3 cadeiras na Câmara Federal e aumentou para 7 a sua representação na Alesc. Ficou, ainda, com César Souza e Antônio Gavazzoni como suplentes dos senadores LHS e Bauer. E, para coroar o momento, o DEM terá a máquina estadual a seu dispor para fortalecer o partido para as eleições municipais de 2012. Considerando a história desde a fundação do PFL na Nova República, este talvez seja o auge do partido em Santa Catarina. Um resultado e tanto para quem teve que enfrentar um Presidente da República que defendeu que o DEM fosse extirpado da política.

PMDB
O grande vitorioso na sigla é o senador eleito Luiz Henrique da Silveira. O ex-governador conseguiu manter unida a poli-aliança em torno de Colombo, o candidato que ele defendia. O partido saiu-se bem nas urnas. Conseguiu eleger 5 deputados federais e 10 estaduais, além de LHS ao Senado e Eduardo Moreira como vice-governador. E tem mais: com a vitória nas urnas, Raimundo deixa a sua vaga no Senado ao ex-governador Casildo Maldaner. Sem dúvida alguma o PMDB continua firme e forte em Santa Catarina.
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PSDB
Os rumos mudaram no ninho tucano, ou melhor, o guia dos rumos mudou. Sai de cena o atual governador Leonel Pavan e assume o posto de líder do partido o senador eleito Paulo Bauer. Pavan, a princípio, fica sem cargo e vê a sua influência estadual diminuir. Na esfera federal, além do Senador eleito, há ainda para o PSDB a suplência de Luiz Henrique com Dalírio Beber e 2 cadeiras na Câmara com Jorginho Mello e Marco Tebaldi. Na Alesc a sigla se mantém bem com 6 deputados. É, sem dúvida, uma força consolidada em Santa Catarina.
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PP
O partido sai como a grande decepção deste ano eleitoral já que a candidata Angela Amin, depois de liderar por meses as pesquisas, perdeu o pleito já no 1º turno. Faltou renovação na sigla, fato que se configurou numa diminuição de representatividade. O número de deputados federais caiu de 3 para 2, sendo que a grande esperança, Esperidião Amin, venceu mas não estourou nas urnas. Na esfera estadual mantiveram-se as 6 cadeiras na Alesc conquistadas em 2006. Indubitavelmente o PP continua como uma força política considerável em Santa Catarina, mas longe do que já foi numa época não muito distante. Cogita-se atualmente a entrada dos progressistas no governo de Raimundo Colombo como uma forma de evitar uma sangria nas fileiras do partido. Afinal, assim como a força traz o poder, o poder também traz força.
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PT
O partido da presidente eleita Dilma Rousseff não repetiu em Santa Catarina o sucesso a nível nacional. Ideli Salvatti deixou o seu mandato de senadora para entrar numa fracassada empreitada visando o governo de Santa Catarina. Não apenas perdeu a eleição, mas como manteve-se no histórico 3º lugar que o PT ocupa no estado. Tentou-se a candidatura de Cláudio Vignatti para substituir Ideli no Senado, mas o mesmo não teve forças para superar LHS e Paulo Bauer. Mais uma vez os deputados serão a força do PT, sendo 4 na Câmara federal e 7 na Assembléia Legislativa. Além disso, Dilma perdeu para Serra nos 2 turnos em terras catarinenses.
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Permito-me fazer uma aposta, talvez, precipitada, sobre os planos políticos de Raimundo Colombo. Caso a aliança DEM-PMDB-PSDB-PP se confirme restará apenas o PT na oposição ao governo. Com ampla maioria na Assembléia Legislativa e partidos como PMDB e PP com inserção no governo federal a fim de se buscar verbas, deve passar a ser objetivo do novo governador a reeleição em 2014. Não uma simples reeleição, mas um fato político que o transforme numa grande liderança nacional dada a sua aprovação em Santa Catarina. Contribui para esta hipótese o fato de o DEM tê-lo como uma esperança de dias melhores ao partido por ser um político com uma imagem nova. Há muitos fatores que contribuirão ou não para o sucesso de Raimundo, mas está cada vez mais claro que este é indispensável ao seu partido. Por enquanto são apenas conjecturas.

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