O IBGE divulgou nesta semana os números preliminares da contagem da população pelo Censo 2010. O trabalho está praticamente concluído e nos próximos meses serão divulgados também todo o perfil sócio-econômico dos brasileiros. A tendência nacional é de desaceleração no crescimento populacional. Segundo os dados coletados, somos hoje 185 milhões de brasileiros, ante 169 milhões no ano 2000 e 147 milhões em 1991. O país caminha rapidamente para o grupo de nações consideradas demograficamente estáveis tendo em vista que a cada dia as linhas de idosos e crianças se aproximam.
O envelhecimento da população brasileira ainda não é preocupante. De acordo com os dados demográficos o Brasil está entrando no melhor momento da transição demográfica, quando a maior parte da população é adulta e se encontra no grupo economicamente ativo. Isso significa que cada vez mais pessoas entram para o mercado de trabalho, produzem, consomem e pagam impostos. Este não é apenas o momento para fazer a economia crescer, mas também para planejar os investimentos em áreas essenciais como educação, saúde e previdência. Segundo dados do Ministério da Educação o número de matrículas no Ensino Fundamental já está caindo, não pelo aumento da evasão, mas pela diminuição do número de pessoas na faixa de idade. O Brasil tem que aproveitar a estabilização demográfica para melhorar a qualidade do ensino visando criar uma massa de trabalhadores capacitados e economicamente independentes. É, ainda, indispensável reformar a Previdência através de cortes de privilégios e aumento da idade para a aposentadoria. Medidas impopulares que hoje não alterarão significativamente as contas, mas que daqui a 30 anos farão a diferença e poderão manter o sistema previdenciário saneado. Outro grande desafio é saúde tendo em vista o envelhecimento da população e a crescente necessidade de atendimento médico. É neste cenário de boom econômico fundado na transição demográfica que o Brasil delineará o seu futuro.
FOZ DO RIO ITAJAÍ-AÇÚ
Aqui na região da foz do rio Itajaí-Açú, em Santa Catarina, os dados divergem da realidade nacional. Nos últimos 20 anos a população dobrou. Veja abaixo a evolução dos dados nas 11 cidades da AMFRI e em Brusque:
Cidade | 1991 | 2000 | 2010 |
Itajaí | 119.631 | 147.494 | 182.484 |
Balneário Camboriú | 40.308 | 73.455 | 106.220 |
Brusque | 57.971 | 76.058 | 103.944 |
Camboriú | 25.806 | 41.445 | 61.369 |
Navegantes | 23.662 | 39.317 | 60.038 |
Itapema | 12.176 | 25.869 | 44.207 |
Penha | 13.108 | 17.678 | 24.890 |
Balneário Piçarras | 7.935 | 10.911 | 16.865 |
Porto Belo | 11.689 | 10.704 | 15.986 |
Bombinhas | 0 | 8.716 | 14.216 |
Ilhota | 9.448 | 10.574 | 12.324 |
Luiz Alves | 6.440 | 7.974 | 10.448 |
TOTAL | 328.174 | 470.195 | 652.991 |
É importante separar os momentos históricos para entendermos como a foz do Itajaí transformou-se em pólo de atração demográfica. A migração se intensificou entre os anos 80 e meados dos 90 quando Balneário Camboriú e Itapema viraram "cidades-praias" com um mercado imobiliário aquecido. Ao longo dos anos os apartamentos e as casas de veraneio foram se transformando em residências fixas. A partir da segunda metade dos anos 90 o crescimento aumentou. A Univali e outras universidades se expandiram, a BR 101 foi duplicada no governo FHC, o Plano Real favoreceu o comércio exterior, Itajaí passou a abrigar o 2° maior porto em movimentação de contêineres do Brasil, entre outros fatores que, aliados a uma posição geográfica favorável, fizeram daqui um pólo turístico, do conhecimento e logístico. Nos últimos 15 anos o PIB de Itajaí, por exemplo, cresceu a uma taxa média de 11% ao ano. A facilidade de deslocamento entre os municípios foi outro fator determinante. Com a duplicação da BR 101, já citada aqui, viagens a Florianópolis e Joinville que duravam mais de 2 horas, hoje são feitas em 50 minutos. Milhares de cidadãos trabalham em uma cidade e moram em outra.
Os catarinenses devem aprender com os maus exemplos de outras regiões metropolitanas brasileiras. O planejamento urbano e a atração de crescentes investimentos para diversificar a economia são, hoje, desafios cruciais para que esta qualidade de vida que atrai tantos brasileiros não seja desperdiçada. Mais do que nunca o poder público deve trabalhar em parceria com a sociedade e a iniciativa privada em busca de transparência e consciência sobre as duras decisões que devem ser tomadas, seja a nível local ou nacional.
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