5 de novembro de 2010

Números do CENSO 2010

O IBGE divulgou nesta semana os números preliminares da contagem da população pelo Censo 2010. O trabalho está praticamente concluído e nos próximos meses serão divulgados também todo o perfil sócio-econômico dos brasileiros. A tendência nacional é de desaceleração no crescimento populacional. Segundo os dados coletados, somos hoje 185 milhões de brasileiros, ante 169 milhões no ano 2000 e 147 milhões em 1991. O país caminha rapidamente para o grupo de nações consideradas demograficamente estáveis tendo em vista que a cada dia as linhas de idosos e crianças se aproximam.

O envelhecimento da população brasileira ainda não é preocupante. De acordo com os dados demográficos o Brasil está entrando no melhor momento da transição demográfica, quando a maior parte da população é adulta e se encontra no grupo economicamente ativo. Isso significa que cada vez mais pessoas entram para o mercado de trabalho, produzem, consomem e pagam impostos. Este não é apenas o momento para fazer a economia crescer, mas também para planejar os investimentos em áreas essenciais como educação, saúde e previdência. Segundo dados do Ministério da Educação o número de matrículas no Ensino Fundamental já está caindo, não pelo aumento da evasão, mas pela diminuição do número de pessoas na faixa de idade. O Brasil tem que aproveitar a estabilização demográfica para melhorar a qualidade do ensino visando criar uma massa de trabalhadores capacitados e economicamente independentes. É, ainda, indispensável reformar a Previdência através de cortes de privilégios e aumento da idade para a aposentadoria. Medidas impopulares que hoje não alterarão significativamente as contas, mas que daqui a 30 anos farão a diferença e poderão manter o sistema previdenciário saneado. Outro grande desafio é saúde tendo em vista o envelhecimento da população e a crescente necessidade de atendimento médico. É neste cenário de boom econômico fundado na transição demográfica que o Brasil delineará o seu futuro.

FOZ DO RIO ITAJAÍ-AÇÚ

Aqui na região da foz do rio Itajaí-Açú, em Santa Catarina, os dados divergem da realidade nacional. Nos últimos 20 anos a população dobrou. Veja abaixo a evolução dos dados nas 11 cidades da AMFRI e em Brusque:

Cidade

1991

2000

2010

Itajaí

119.631

147.494

182.484

Balneário Camboriú

40.308

73.455

106.220

Brusque

57.971

76.058

103.944

Camboriú

25.806

41.445

61.369

Navegantes

23.662

39.317

60.038

Itapema

12.176

25.869

44.207

Penha

13.108

17.678

24.890

Balneário Piçarras

7.935

10.911

16.865

Porto Belo

11.689

10.704

15.986

Bombinhas

0

8.716

14.216

Ilhota

9.448

10.574

12.324

Luiz Alves

6.440

7.974

10.448

TOTAL

328.174

470.195

652.991

Afinal, por qual motivo esta região catarinense cresce tanto? Migração em busca de qualidade de vida é a resposta. Dos anos 90 até hoje a economia se diversificou e o poder público aumentou a sua eficiência, chamando atenção de milhares de pessoas de todo o Brasil. Belas praias, a maior universidade privada de Santa Catarina, boa estrutura rodoviária, vários terminais portuários e o atendimento de saúde e educação acima da média nacional são alguns dos fatores dessa explosão populacional. Somente nos últimos 10 anos o crescimento foi de 182 mil habitantes. Seria como se uma nova Itajaí, a cidade pólo da região, fosse criada apenas nesta década que passou.

É importante separar os momentos históricos para entendermos como a foz do Itajaí transformou-se em pólo de atração demográfica. A migração se intensificou entre os anos 80 e meados dos 90 quando Balneário Camboriú e Itapema viraram "cidades-praias" com um mercado imobiliário aquecido. Ao longo dos anos os apartamentos e as casas de veraneio foram se transformando em residências fixas. A partir da segunda metade dos anos 90 o crescimento aumentou. A Univali e outras universidades se expandiram, a BR 101 foi duplicada no governo FHC, o Plano Real favoreceu o comércio exterior, Itajaí passou a abrigar o 2° maior porto em movimentação de contêineres do Brasil, entre outros fatores que, aliados a uma posição geográfica favorável, fizeram daqui um pólo turístico, do conhecimento e logístico. Nos últimos 15 anos o PIB de Itajaí, por exemplo, cresceu a uma taxa média de 11% ao ano. A facilidade de deslocamento entre os municípios foi outro fator determinante. Com a duplicação da BR 101, já citada aqui, viagens a Florianópolis e Joinville que duravam mais de 2 horas, hoje são feitas em 50 minutos. Milhares de cidadãos trabalham em uma cidade e moram em outra.

Os catarinenses devem aprender com os maus exemplos de outras regiões metropolitanas brasileiras. O planejamento urbano e a atração de crescentes investimentos para diversificar a economia são, hoje, desafios cruciais para que esta qualidade de vida que atrai tantos brasileiros não seja desperdiçada. Mais do que nunca o poder público deve trabalhar em parceria com a sociedade e a iniciativa privada em busca de transparência e consciência sobre as duras decisões que devem ser tomadas, seja a nível local ou nacional.

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