4 de julho de 2010

SERRA: vice surpreende positivamente

Foi um processo sofrido, brigado, desarticulado e mal repercutido, mas a escolha do candidato a vice-presidente na chapa de José Serra terminou bem. Antonio Pedro de Siqueira Indio da Costa, 39 anos, foi o felizardo. Carioca filiado ao Democratas, Indio (sem acento mesmo) foi subprefeito, vereador três vezes, secretário de administração e deputado federal.

Mais do que expectativa, a vontade de todos os tucanos e aliados era que o ex-governador Aécio Neves repensas- se a sua posição e aceitasse ser vice. Isso não ocorreu. O mineiro prefere ser senador, tentando eleger Antonio Anastasia como o seu sucessor em Minas Gerais. É uma eleição chave para que o tucano prove que tem a hegemonia política na sua terra, credenciando-o para voos mais altos rumo ao planalto central no futuro. E Aécio persistiu no seu projeto.

O prazo foi se esgotando e Serra continuava sem um vice. Na última semana o petebista Roberto Jefferson vazou via Twitter que o escolhido era o senador paranaense Álvaro Dias (PSDB). Foi o que bastou para o inferno astral tomar conta da campanha oposicionista. O Democratas, partido que deu sustentação aos dois governos de Fernando Henrique e é aliado número um dos tucanos desde 1994, contra-atacou avisando que se não tivesse a vice-presidência retirariam o apoio a Serra. E apesar do encolhimento que o partido sofreu nos últimos anos, o DEM tem cacife para negociar: conta com cerca de 500 prefeitos, 14 senadores, 54 deputados federais, candidaturas a governador sólidas em estados como Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Bahia e uma base forte no Nordeste. E além de toda a estrutura partidária, caso o Democratas deixasse o apoio a Serra ele levaria consigo os 2 minutos e meio que possui no horário eleitoral.

Realmente era loucura pensar em chapa pura tucana, mas poucos viam isso. Precisaram chamar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-senador Jorge Bornhausen para baterem o martelo e convencerem os correligionários: o vice é do DEM. Nomes diversos e fortes surgiram na hora de decidir: Senadora Kátia Abreu, Senador Demóstenes Torres, Deputado José Carlos Aleluia, entre outros. O escolhido foi o pupilo do ex-prefeito do Rio César Maia, o jovem carioca Indio da Costa. No currículo possui a juventude, o trabalho de desburocratização que promoveu na Prefeitura do Rio de Janeiro e o fato de ter sido relator da Lei Ficha Limpa na Câmara dos Deputados.

De fato apareceu uma insegurança logo após o anúncio de Indio. Jovem demais? 39 anos é uma idade razoável e um ponto positivo para dar um gás na campanha do idoso José Serra, além de renovar a política brasileira. Inexperiente? Não, afinal antes de ser presidente Lula nunca tinha administrado nada e só havia sido eleito uma única vez para Deputado Federal. Indio possui 4 mandatos legislativos e trabalho por 10 anos no executivo carioca.

Indio representa a juventude, traz um Democratas motivado para a campanha e, principalmente, insere José Serra no eleitorado do estado do Rio de Janeiro, um território onde os tucanos nunca se deram bem. Considerando que o Norte e o Nordeste votam Dilma e que o Sul e o Centro-Oeste votam Serra, o Sudeste será o fiel da balança. Sem Aécio como vice, é preciso investir no Rio de Janeiro para garantir a vitória regional e nacional. Foi uma escolha sensata e sob medida para as necessidades da oposição. Agora o time está montado e motivado, bastando fazer a campanha engrenar rumo à vitória.

1 comentários:

  1. Mil vezes o Demóstenes, promotor de justiça de carreira, competente de de reputação ilibada!!!

    Meu voto é do Serra. Isso é indiscutível. Mas, poderiam ter elegido um nome melhor pra vice!

    E, caso aconteça o impossível -Dilma se eleger - as bases irão culpar Serra e o partido pela escolha do vice!!!

    É o que penso!!!

    Um forte abraço!!!

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