Postagens Recentes

30 de janeiro de 2010

Questionando Cristóvam Buarque

Quem me acompanha via Twitter viu que nesta semana fiz alguns questionamentos ao senador Cristóvam Buarque (PDT-DF). O ex-candidato a Presidência da República tem uma bandeira muito importante que é a educação. Todavia sempre fiquei intrigado em como implantar as ideias revolucionárias por ele defendidas.
.
No dia 28 de janeiro o senador Cristóvam postou em Twitter a informação de que Dilma Roussef pediu que o PDT formulasse uma proposta para a implantação do ensino em tempo integral no Brasil. Veja:
.
Achei uma ideia interessantíssima, mas veio à minha mente as informações da UNESCO que publiquei no dia 24 de janeiro no texto que mostra a regressão que ocorreu na educação durante o governo Lula:
.
Segundo a UNESCO dos 195 mil estabelecimentos de ensino do país, 17,8 mil não tem energia elétrica, 37% carecem de biblioteca e 10% não contam nem com banheiro.
(Clique AQUI para ler o texto completo).
.
Ora essa, meus caros internautas, se o Brasil não consegue construir escolas decentes para que as crianças estudem apenas 4 horas e meia diárias, como conseguiremos construir a quantidade de salas de aula suficientes para que o nosso Ensino Fundamental se torne integral? E por isso fui atrás de respostas do senador Cristóvam. Entre os dias 28 e 29 de janeiro perguntei três vezes como ele faria essa mudança:
.
E o senador respondeu:
"Com que dinheiro fazer a revolução educacional?" Com 0,3% da renda nacional ou 1% da renda do setor público, parte do dinheiro da Copa, das Olimpíadas, do PAC, do Congresso. (Clique AQUI para ler)
.
Fui à caça de dados oficiais sobre os gastos de educação no Brasil e cheguei ao site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), um órgão do governo federal. Achei um dado interessante e respondi ao parlamentar:
.
Cristóvam ainda não respondeu. É um assunto delicado. Recordo-me de uma propaganda do PSDB dos anos 90 que falava sobre o fim da inflação com o seguinte slogan: "Se fosse fácil alguém já tinha feito." E quando vejo o senador Cristóvam falar com tanta segurança sobre o assunto fico me questionando: por que não fizeram? Investir em educação é algo urgente no Brasil, mas antes de implantar o ensino integral há um longo caminho. O discurso bonito do pedetista no fundo pode trazer consigo o perigo do estelionato eleitoral. Vale lembrar que ele já foi Ministro da Educação. Promessas fáceis normalmente representam um futuro difícil.

Compartilhar/Salvar

28 de janeiro de 2010

A evolução dos jingles nas campanhas presidenciais

Hoje fiz uma seleção de jingles que marcaram as eleições nacionais nas últimas décadas. Músicas que vão da absurda defesa da corrupção até brilhantes letras que conquistaram o Brasil. Relacionei apenas os jingles dos principais candidatos. Vale a pena conferir!

1960 - OS JINGLES QUE NOS LEVARAM AO REGIME MILITAR


Pelo ritmo das músicas confirma-se que na época o Brasil ainda era muito ligado ao militarismo. Jânio Quadros venceu e renunciou depois de 7 meses pensando que o povo clamaria pela sua volta. O povo não clamou e João Goulart assumiu. Jango era trabalhista e famoso por suas ligações com Cuba. Para impedir grandes mudanças no país, criou-se o Parlamentarismo dando poder ao Primeiro Ministro Tancredo Neves. Em 1963 um plebiscito decidiu pela volta do Presidencialismo e João Goulart retomou o poder par implantar as "reformas de base", algo que não agradava a classe média. Em 1° de abril de 1964 os militares tomaram o poder com grande apoio da sociedade.

Jânio Quadros (PTN) apareceu com Varre-Varre Vassourinha para acabar com a sujeira em Brasília. Foi o candidato da honestidade contra os que ele qualificava como corruptos.

Marechal Teixeira Lott (PSD) era o candidato do presidente Juscelino Kubitschek. O governo era acusado de corrupção na construção de Brasília, o que motivou a derrota do militar.
Adhemar de Barros (PSP), famoso pelo "rouba mas faz" no governo de São Paulo, fala da sua "caixinha" (caixa 2) que dá tudo ao povo. Acusado de corrupção, dizia que a sua caixinha ajudava o povo e não os "tubarões".
.
1989 - FARTURA DE CANDIDATOS
.
Uma nova era se iniciou na democracia brasileira. Depois de 29 anos sem eleições diretas para presidente da República, nada mais nada menos do que 22 candidatos disputaram o voto da população. Deu Collor em cima de Lula no segundo turno. O candidato da renovação e do respeito às liberdades econômica e individual derrotou um petista sem preparo e com discurso socialista numa época em que a União Soviética afundava. Em dezembro de 1992 Fernando Collor renunciou e teve os seus direitos políticos cassados por 8 anos em virtude de denúncias de corrupção. Em 1995 o Supremo Tribunal Federal o absolveu.
.
Fernando Collor (PRN) baseou a sua campanha num novo Brasil, lutando pelo fim dos privilégios e altos salários do serviço público nacional. Seu jingle insistia na mudança e na renovação.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda era radical e tinha um discurso fortemente sindicalista. Também defendia a mudança, mas através da utópica teoria do poder nas mãos dos operários.
Leonel Brizola (PDT), ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, fez uma música muito superficial, mas que marcou o Brasil. Seu ritmo triunfalista ficou famoso numa campanha de ataque à Rede Globo e de um novo tempo para o Brasil. Era o chamado "socialismo moreno" que ganhou força numa onda que partiu do Sul. Por pouco não conseguiu chegar ao segundo turno. A candidatura de Lula rachou a esquerda e Brizola, que era o mais temido de todos pois ao contrário de Lula tinha a coragem para fazer aquilo que defendia, saiu enfraquecido.
Guilherme Afif (PL) chegou a empolgar o empresariado e parte da classe média. Assim como Brizola, Afif fez um marketing triunfalista pregando um novo Brasil através da união de todos os brasileiros. Sua candidatura perdeu fôlego no meio do caminho.
Ulysses Guimarães (PMDB) foi a decepção de 1989. A candidatura do ícone das Diretas e da Constituinte não decolou pelo maior partido do Brasil. Faltou foco e projeto.
Silvio Santos (PMB) nem foi votado. Sua candidatura foi acusada de ser uma armação do Presidente José Sarney para continuar com o seu grupo no poder. As pesquisas extra-oficiais chegaram a apontar para um índice de 30% dos votos para Silvio Santos, algo que incomodou a todos, principalmente Collor. O TSE não deferiu o seu registro pois o Partido Municipalista Brasileiro não tinha a estrutura necessária que a lei exigia.
.
1994 - UMA NOVA REALIDADE NACIONAL
.
A eleição daquele ano foi a virada eleitoral mais incrível da história do Brasil. Seis meses antes do pleito Lula liderava todas as pesquisas e o Brasil sofria com uma inflação galopante de mais de 2.000%. Em algumas semanas o governo Itamar saiu do fundo do poço e conseguiu colocar o Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso na liderança das pesquisas graças à estabilidade econômica através do nocaute à inflação dado pelo Plano Real. FHC venceu no primeiro turno. Apenas entre 94 e 95 a miséria caiu de 40% para 30% da população brasileira e uma grande onda de otimismo tomou conta do país, dando ao presidente a força necessária para fazer as reformas estruturais que o país precisava.
.
Fernando Henrique Cardoso (PSDB) levou à campanha daquele ano o discurso da consolidação do Plano Real. O jingle usou a "mão" como símbolo numa alusão à moeda forte que podíamos segurar com orgulho. Seu marketing focou em 5 metas representadas por 5 dedos: saúde, educação, agricultura, emprego e segurança.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não soube conduzir a sua campanha ao atacar fortemente o Real qualificando-o como eleitoreiro. Foi para a eleição defendendo a mudança, sendo que o que o brasileiro queria era justamente a manutenção daquilo que acabara de ser implantado.
Esperidião Amin (PPR) foi um balão de ensaio do antigo PDS para tentar reunificar a direita brasileira. Foi para a campanha defendendo o Real, mas não obteve apoio significativo junto ao eleitorado. Seu jingle engrandecia o estado de Santa Catarina, induzindo o povo a pensar que com Amin todo o Brasil se tornaria rico. A direita, todavia, se dividiu entre ele, Enéas e Fernando Henrique uma vez que este teve o apoio do PFL.
.
1998 - AVANÇANDO SEM SOBRESSALTOS
.
A eleição de 1998 foi inédita já que pela primeira vez na história um presidente poderia se reeleger. E FHC repetiu a dose de 1994, derrotando Lula no primeiro turno com uma margem parecida de votos. Novamente a economia foi o foco da campanha e o tucano conseguiu passar ao povo a segurança e a esperança de que a prosperidade do primeiro mandato continuaria no segundo através da consolidação do Plano Real.
.
Fernando Henrique Cardoso (PSDB) fez uma campanha forte ressaltando os avanços e defendendo a continuidade das mudanças ditas progressistas do seu governo. Venceu fácil.
Enéas Carneiro (PRONA) se candidatou pela terceira vez a presidente em 1998 com 33 segundos na TV. Não posto aqui um jingle, pois ele não tinha tempo para isso, e sim um pequeno discurso onde ele chama o Lula de burro e diz que vai estraçalhar o Fernando Henrique no segundo turno.
.
2002 - A ONDA VERMELHA
.
A primeira eleição do século XXI foi marcada pelo discurso de mudança. Lula foi candidato pela 4ª vez seguida e só emplacou porque mudou o tom ao deixar o radicalismo de lado. Contra Serra, Ciro e Garotinho, Lula teve a sua vitória ameaçada duas vezes: em 2001, quando Roseana Sarney (PFL) chegou a liderar as pesquisas e no meio da campanha de 2002 com Ciro Gomes arrebanhando o eleitorado dos que queriam mudança mas que ainda viam Lula como um perigo ao país. A vitória petista mudou muito o cenário político nacional, todavia o modelo social e econômico se mantém até hoje.
.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito no segundo turno contra o governista José Serra. Sua eleição foi marcada por este jingle, dizendo para o povo não ter medo ou pudor e defendendo um Brasil mais decente. Duda Mendonça deixou as campanhas de Paulo Maluf e construiu a imagem do "Lulinha Paz e Amor".
José Serra (PSDB) teve a tarefa de representar o desgastado governo Fernando Henrique nas eleições. Seu discurso de quem muda é quem olha pra frente foi um contraponto direto a um Lula que criticava o governo a todo momento.

Ciro Gomes (PPS) foi para 2002 numa aliança com partidos da esquerda moderada com parte do PFL. Com um discurso contra o governo, mas mostrando experiência e bom senso chegou a aparecer em segundo lugar nas pesquisas. Seu destempero fez a sua campanha perder força na reta final.
.
2006 - A FORÇA DA MÁQUINA ESTATAL
.
A última eleição presidencial foi a prova cabal de que o uso da máquina pública influencia na eleição. Meses antes da eleição o governo federal colocou nos meios de comunicação uma enxurrada de propagandas com boas notícias, elevando assim a aprovação do presidente Lula. Como candidato da oposição Geraldo Alckmin saiu da casa dos 15% para cerca de 42% dos votos no primeiro turno. O lado cômico da eleição foi ver o tucano ter 37 milhões de votos no segundo turno contra os 40 milhões do primeiro. Caso raro!
.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se candidatou pela 5ª vez e pela primeira vez pregando a continuidade em vez da mudança. Sua campanha tentou colocá-lo como um homem do povo.
Geraldo Alckmin (PSDB) fez uma campanha sem foco. O jingle é um espelho disso, falando em honestidade, verdade e outros temas que incomodavam o governo do mensalão. Não deu certo.
Heloísa Helena (PSOL) foi a marca da esquerda radical. Empolgou por ser mulher e combater o PT corrupto. Mas seu discurso defendendo o socialismo nunca agradou e nunca agradará o Brasil.
José Maria Eymael (PSDC) repetiu o mesmo jingle que usa desde 1985. Sem muitos comentários!
.
Não consegui todas as músicas de todas as eleições. Mas creio que este acervo já seja o suficiente para perceber o quanto uma música pode ajudar a erguer ou afundar uma campanha eleitoral. Jingles não ganham eleição, mas tão o tom da disputa. Esperemos para ver o que 2010 nos trará de surpresas!

Compartilhar/Salvar

24 de janeiro de 2010

UNESCO: Brasil regride no ranking da educação

A UNESCO, braço da ONU para educação e cultura, divulgou o relatório mundial do Índice de Desenvolvimento da Educação de 2007. O resultado apresentado foi desastroso para o Brasil, mostrando que o país caiu da 76ª para a 88ª posição entre 128 nações. Hoje somos um dos piores do continente americano, estando atrás de Bolívia e Paraguai com um índice similar ao do Suriname. Numa escala de 0 a 1, em que quanto mais perto do 1 melhor, o Brasil conquistou 0,883 em 2007, abaixo dos 0,901 de 2005. O IDE é composto pelas taxas de alfabetização de adultos, igualdade de gênero, matrícula na educação primária e sobrevivência na escola até a quarta série.
.

Os números da ONU mostram que na questão da repetência no ensino fundamental o Brasil está na frente apenas de 13 países do continente africano. Aqui o índice de reprovação chega a 12,1%. A taxa de matrícula nos primeiros anos do ensino fundamental caiu de 95,6% em 2005 para 93,5% em 2007 e o número de alunos que chega à quinta série caiu de 80,5% para 75,6%. Outros dados preocupam como a permanência na sala de aula. Especialistas defendem 6 horas diárias, enquanto o Brasil atinge em média 4,5 horas. Mas isso não é o pior. Segundo a UNESCO dos 195 mil estabelecimentos de ensino do país, 17,8 mil não tem energia elétrica, 37% carecem de biblioteca e 10% não contam nem com banheiro.

Cabe ao Brasil debater as suas prioridades educacionais. Enquanto o governo Fernando Henrique Cardoso ficou conhecido por priorizar a universalização do ensino básico e a diminuição do analfabetismo com a implantação do FUNDEF, do Bolsa Escola e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a gestão do PT preferiu focar seus esforços no ensino superior e técnico através das universidades e institutos federais, além do PROUNI. O ideal seria que o Estado tivesse capacidade para investir em todos os níveis de ensino sem distinção, mas sabemos que isso ainda não é possível e é por isso que fica difícil entender a escolha do PT pelo ensino superior. A visão míope do governo Lula fez com que o já problemático ensino fundamental não recebesse a atenção necessária dos governos. Este fato aliado aos problemas sociais tem um efeito perverso sobre aqueles que mais se identificam com o presidente, os pobres.

Em 2003, quando Cristóvam Buarque assumiu o Ministério da Educação, foi traçada uma meta para acabar com o analfabetismo no país em 4 anos. Em 2004, depois de demiti-lo por telefone, Lula simplesmente deixou de lado este objetivo. Talvez aí esteja a raiz da regressão que o Brasil teve nos seus indicadores. É claro que não adianta universalizar o ensino sem melhorar a qualidade, mas como um país que não constrói nem banheiros nas escolas vai atingir um nível satisfatório de aprendizado? Todas as nações que avançaram na história recente focaram os seus esforços para o fortalecimento do ensino fundamental, pois é através de uma base sólida que se constrói o futuro. Já foi provado que quem tem um acompanhamento educacional satisfatório nos primeiros anos da idade escolar se sobressai nos níveis de ensino seqüentes.

O Brasil precisa repetir experiências de sucesso como a Coréia do Sul, onde a revolução econômica e social se baseou nos maciços investimentos nas escolas de educação básica. A lei exige que todo sul-coreano passe no mínimo 8 anos na escola e o diferencial está na estrutura do ensino. Todas as escolas de ensino fundamental são públicas, 50% do ensino médio é privado e 100% do ensino superior é pago, até mesmo nas universidades públicas. E para não dizer que há discriminação com os pobres, o governo distribui bolsas de estudo pela meritocracia. Quem tira notas boas é recompensado pelo Estado, criando assim um clima competitivo que fez o país sair da miséria para o primeiro mundo. Já no Brasil a estrutura é completamente diferente. O governo investe muito no ensino superior, pouco no fundamental e médio, deixa a iniciativa privada atuar em todos com pouquíssimos incentivos e na prática discrimina milhões de brasileiros que não podem pagar um bom colégio particular.
.
O relatório da ONU é preocupante pois quebra a seqüência de bons resultados do Brasil. Apesar de todos os problemas que resistem a educação nacional passou décadas progredindo uma vez que o ensino básico sempre foi prioridade. A mistura entre política e educação que o PT faz agrada os sindicatos e as rodas de pseudo-intelectuais esquerdistas através da manutenção da miséria de milhões de brasileiros que não tem uma educação básica de qualidade. Se na propaganda do governo "ninguém segura este país", na realidade as salas de aula não seguram ninguém.
___________________________________________________________________________
.
Pensando bem, ler deveria ser proibido:


Compartilhar/Salvar

18 de janeiro de 2010

Direita chilena derrota teoria da transferência de votos. E o Brasil?

O último domingo, 17 de janeiro de 2010, foi um dia histórico para o Chile. O dia em que, depois de 20 anos no poder, a coalizão de centro-esquerda chamada de "concertación" perdeu a eleição para a Presidência da República. O milionário Sebastián Piñera foi o primeiro presidente de direita eleito em cinco décadas e quebrou o ciclo esquerdista que vem desde 1990, quando findou a ditadura do general Augusto Pinochet.

O cenário do Chile e do Brasil é diferente, mas podemos traçar um paralelo interessante. A peculiaridade da eleição de Piñera foi o fato do governo da presidente Michelle Bachelet contar com 80% de apoio da população, uma prova de que aprovação pessoal não é sinônimo de transferência de votos para o candidato ungido. E mais, quem representou o governo Bachelet na eleição foi o ex-presidente da República entre 1994 e 2000 e ex-presidente do Senado entre 2006 e 2008 Eduardo Frei, ou seja, uma pessoa com alto gabarito e boa avaliação entre os chilenos. No Brasil, Lula, também com seus 80% de aprovação, tirou do bolso Dilma Roussef, uma pessoa que nunca se candidatou a nada e que não tem nenhuma vivência político-eleitoral. Aposta na transferência de votos para dar prosseguimento ao projeto petista de poder.

Outra similaridade entre a eleição chilena e a brasileira é o terrorismo do partido governista, chamando a oposição de anti-democrática e atrasada. Lá, o governo tentou colar em Piñera a imagem da ditadura de Pinochet e propôs à população a comparação dos últimos 20 anos com os 17 do ditador. Aqui, o PT tenta colar em José Serra a imagem ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, apesar de não ser, é propagado há 7 anos como o presidente da herança maldita.

Por fim, é importante salientar que o novo presidente chileno venceu tendo um "recall" eleitoral de 2005, quando ele foi candidato e perdeu para Bachellet. Nessa eleição ele começou a campanha na frente e terminou com a vitória depois de pregar a continuação dos programas sociais e o aprimoramento dos investimentos em infra-estrutura e eficiência do Estado. No Brasil José Serra sustenta a liderança em todas as regiões do país porque, entre outras coisas, foi candidato a presidente em 2002. Naquele ano Serra perdeu para um Lula que hoje conta com 80% de aprovação. E qual o discurso do tucano até outubro? Continuar o que está dando certo e avançar nas áreas onde o atual governo não investiu como saúde e reformas estruturais.

A vitória da oposição não está garantida no Brasil, mas é muito mais provável do que uma continuidade governista. Nem a comparação com o passado, nem o terrorismo eleitoral e muito menos os 80% de aprovação do presidente são garantias de uma vitória petista. O Chile é o maior exemplo.

Veja abaixo o principal vídeo da vitoriosa campanha de Sebastián Piñera no Chile:


Compartilhar/Salvar